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Wagner enfrenta a Dengue.
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Dengue & Brasil.
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O mundo na luta contra a dengue.
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BAHIA 
|03.03.2009 - 08H35

 

Médicos admitem que haja subnotificação de dengue no estado.

 

Alexandre Lyrio/Felipe Amorim / Redação CORREIO | Fotos: Antonio Queirós/CORREIO

Médicos e profissionais da área de saúde confirmam o problema da subnotificação de casos de dengue no estado. Para os especialistas ouvidos pelo CORREIO, os principais motivos que levam à subnotificação são a ainda recente introdução do tema dengue nos currículos das universidades e a falta de estrutura na rede pública de atendimento. 

“São esses números que permitem ao Estado elaborar políticas públicas para o combate da doença”, alerta o presidente do Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindmed), José Caires. Em entrevista ao CORREIO, publicada na edição de domingo, a coordenadora de controle de doenças de transmissão vetorial da Secretaria estadual de Saúde (Sesab), Jesuína Castro, revelou que enquanto na rede estadual o número real de casos pode chegar a três vezes mais do que os que são notificados, em Salvador, segundo Jesuína, a subnotificação seria dez vezes o número de casos. 

Médicos
Clínico e pneumologista da Unidade de Emergência do bairro de Plataforma, Rosalvo Abreu é um dos que confirmam as dificuldades que o dia-a-dia impõe para notificar adequadamente a doença. Devido à grande demanda de pacientes para poucos médicos, diz ele, os profissionais de saúde costumam fazer uma triagem dos doentes. “Não tem como notificar todo o mundo. Deixamos em observação os casos mais graves. Mas um paciente que está no seu primeiro dia de febre, por exemplo, mandamos para casa sem notificar”. 

O médico Rosalvo Alves confirma: não tem como notificar todos os casos suspeitos de dengue

O médico considera complicado realizar exames em todos os doentes com sintomas de dengue. “Temos que selecionar quem vai passar pelo hemograma. Como vamos notificar alguém que não passou nem pelo exame de sangue?”, questiona. O problema de falta de estrutura seria ainda mais grave no período pós-folia momesca. “Esse período pós-Carnaval é ainda mais confuso. Os sintomas da dengue são semelhantes aos de uma virose. Não posso deixar todo o mundo dentro do posto com virose”, afirma. 

Estrutura
O presidente do Sindmed, José Caires, confirma a existência da subnotificação, ressaltando que o problema passa principalmente pela estrutura oferecida para o atendimento. “A rede básica de Salvador está superlotada, se não cumpre o seu papel de atendimento, que dirá o de notificação”, alerta Caires. 

Para o presidente do Sindmed, a falta de estrutura da rede municipal é a principal justificativa para a diferença entre os índices de subnotificação. “O estado notifica mais porque é onde a população mais procura atendimento. Os pronto-atendimentos do estado são onde o povo encontra a porta aberta”, denuncia. 

Dados
Apesar de admitir a realidade da subnotificação, a coordenadora do Programa Municipal de Combate à Dengue, Eliaci Costa, aponta outras causas para o problema. “Os casos notificados podem ser o dobro ou o triplo, mas essa quantidade maior de pessoas que estariam com dengue não procura atendimento médico. Temos 208 casos notificados, mas esse número não corresponde à realidade, porque muita gente acaba se automedicando. Dessa forma, não temos como saber se a pessoa esteve com a doença” argumenta Costa. 

Ela também reforça que “todos os atendimentos de casos suspeitos de dengue em Salvador são notificados”. Para Caires, casos de pacientes que chegam com os sintomas da doença deixam de receber o atendimento adequado por conta da falta de condições das unidades. 

Prefeitura
A coordenadora municipal do Plano de Contingência da Dengue, Lucélia Magalhães, relata que, desde outubro do ano passado, os médicos da rede municipal vêm sendo capacitados para o diagnóstico e o tratamento da doença. “A gente resolveu partir do zero, porque percebemos que a dengue é relativamente uma coisa nova para o profissional, enquanto problema de saúde pública. Os médicos que se formaram há mais de dez anos praticamente não viram dengue nos currículos”, explica Lucélia. 

A expectativa da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) é de que até março todos os médicos da rede municipal, cerca de mil profissionais, tenham recebido o treinamento. Até janeiro, já haviam sido capacitados 380 médicos e enfermeiros. Um dos motivos para realizar os cursos seria a dificuldade em dar o diagnóstico. “A gente acha que até dezembro do ano passado poderia existir essa dificuldade”, completa Lucélia, dizendo acreditar que o problema agora esteja sanado. 

Após o Carnaval, foram distribuídas cópias do Plano de Contingência da Dengue para todos os 132 postos de saúde do município. A SMS também forneceu, na semana passada, a senha para que o estado possa acompanhar os dados do sistema de notificação da prefeitura. 

Cinco mil novos casos em 14 dias 
O número de notificações de dengue no estado da Bahia teve um aumento de cinco mil casos no período de duas semanas. Segundo boletim divulgado nesta segunda-feira (2), até a terceira semana de fevereiro foram notificados 11.570 casos da doença na Bahia. Até a primeira semana de fevereiro haviam sido notificados 6.567 casos. 

Segundo a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), o aumento é de 248% em relação ao mesmo período de 2008 (3.919 casos). Com relação às formas graves da doença, foram registrados 291 casos em 50 municípios do estado. Desses, foram confirmados 85 casos, em 21 municípios. No mesmo período foram confirmados nove óbitos. 

Salvador notificou 209 casos suspeitos de dengue clássica e 21 de dengue grave em 2009, sendo 36% desses localizados no distrito Cabula- Beiru, especialmente nos bairros Arenoso e Mata Escura. 

Automedicação mascara números 
Febre, náuseas, dores de cabeça e por todo o corpo. Os sintomas são de dengue. Antes mesmo do Carnaval, atingiram em cheio a vendedora Maria Aparecida de Jesus e sua filha de 5 anos. Mas, assim como boa parte das pessoas, ambas estão fora das estatísticas dos casos suspeitos da doença. Entram na lista das subnotificações. 

Sem atendimento, Maria Aparecida e a filha entraram na lista dos subnotificados

São a prova de que o estado não tem controle sobre o número real de doentes, o que torna o mal ainda mais perigoso para a população. Aparecida bem que tentou levar a menina ao posto de saúde de Itacaranha, no subúrbio ferroviário, mas não havia médico. “Ficamos as duas ‘arriadas’ em casa”. Mas em dois dias viu aparecer manchas vermelhas no corpo da criança e se assustou. Podia ser dengue hemorrágica. 

Moradora do bairro de Escada, onde no último levantamento foi identificado o maior índice de infestação do Aedes aegypti em Salvador (9,1%), se deslocou para o Hospital João Batista Caribé. “Estava lotado. Disseram que só podiam atender no dia seguinte. Dei remédio por conta própria e não voltei mais. Ficou boa com a graça do Espírito Santo. Se minha filha morre hoje, não existia o Caribé. Ia quebrar aquilo tudo ali”. 

Como ela, muita gente deixa de ir para o posto de saúde porque sabe que não terá um bom atendimento. Na semana passada, o filho de 8 anos da auxiliar de cozinha Nadjane Souza Santos, 29, teve uma febre persistente e dores nos olhos. Mas a mãe preferiu a automedicação a ter que fazer o menino sofrer numa ante-sala de consultório. “Ir ao posto para quê? Esperar duas horas para ouvir que é uma virose?”. 

A auxiliar de serviços gerais Luzia Nascimento, 42 anos, esperou quase sete dias para finalmente, ontem, procurar a unidade de saúde do bairro de Itacaranha. Está com os mesmos sintomas, de febre e dores. “Se tivesse melhorado, não iria. Mas agora o negócio pegou”, amedronta-se. Os médicos alertam sobre os riscos da automedicação. Há remédios que podem agravar o quadro de dengue. 

Entrevista com José Tavares
O infectologista e professor da Faculdade de Medicina da Ufba José Tavares Neto não culpa nem o Estado, nem os médicos pela subnotificação. Culpa os dois. Além de culpar também a si próprio. 

A subnotificação da dengue é algo tão preocupante assim? 
Sem dúvida. Há uma parte submersa do iceberg que deixa o governo sem rumo. As estatísticas são importantíssimas para se elaborar políticas de saúde. 

Por que há tanta subnotificação? 
Por três motivos. O primeiro e principal são as condições de trabalho que os médicos enfrentam. Os postos estão superlotados. Segundo, por omissão mesmo. Existem médicos que resistem a notificar compulsoriamente. Terceiro muitos não sabem reconhecer a doença. As equipes não têm treinamento adequado. E aí entra também a minha culpa. As faculdades de medicina não incluem dengue na parte prática dos seus currículos. 

E vão incluir? 
O conteúdo teórico da dengue já é discutido, mas falta familiaridade dos alunos com o pronto atendimento. No hospital da universidade não tem pronto atendimento. Atualmente, eles são levados para duas unidades básicas no Garcia e Federação e no Hospital Couto Maia, mas são visitas pontuais. O processo de transformação curricular prevê o contato direto dos alunos com esses pacientes já no terceiro semestre. 

De quem é a culpa pela fragilidade do combate à dengue? 
É muito fácil colocar a culpa na população. Ela também tema sua parcela, mas a coisa é estrutural. Tem que haver uma reforma profunda nos sistemas de saúde.

(Colaborou Jorge Gauthier)

(Reportagem publicada na edição impressa do CORREIO de 3 de março de 2009)

BAHIA |02.03.2009 - 08H26

 

Combate à dengue é alvo de polêmica entre poder público

 

Alexandre Lyrio / Redação CORREIO | Foto: Antonio Queirós/CORREIO

Tanto a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) quanto o Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindimed) contestaram as declarações da coordenadora de controle de doenças de transmissão vetorial da Secretaria de Saúde do Estado (Sesab), Jesuína Castro, feitas em entrevista publicada na edição de domingo do CORREIO. 

Jesuína apontou falhas das gestões municipais do interior e da capital no combate à dengue e criticou os médicos pelo desconhecimento em fazer o diagnóstico da doença. As declarações provocaram mal-estar entre a Sesab, a classe médica e os órgãos de saúde dos municípios, particularmente a SMS. 

Na entrevista, quando disse que “o combate à dengue está fragilizado”, Jesuína bateu forte na subnotificação em Salvador. Segundo ela, se normalmente a notificação oficial costuma ficar emtorno de um terço do total, ou seja, três vezes mais casos de dengue do que se conhece; na capital baiana “deve haver uns dez casos não registrados pelos serviços municipais para cada caso registrado”. 

O trabalho dos agentes de endemia foi alvo de crítica de Jesuína Castro

Jesuína disse não haver uma busca desses casos no município e que 70% dos casos notificados são de unidades do estado. “Chego para capacitar o médico e encontro seis pacientes com suspeita de dengue graves não notificados”, disse ela. A coordenadora municipal do Plano de Contingência da Dengue, Lucélia Magalhães, rebateu duramente as críticas e classificou-as de “levianas”, considerando-as um mero palpite. 

“Ela não conhece nada do nosso trabalho. O sistemade notificação da prefeitura é interno. Subnotificação existe, mas dizer que ela é maior em Salvador é uma leviandade”, disparou. Lucélia vê politicagem nas declarações. “A fala me parece mais política que técnica”. As críticas de Jesuína Castro também foram direcionadas aos médicos. Para ela, há uma resistência dos profissionais, principalmente do município, em notificar a dengue. “O desconhecimento maior é sobre como se faz o diagnóstico”, atestou.

Mas o presidente do Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindimed), José Caires, se disse surpreso com tal declaração, a qual considerou “inconseqüente”. “Faltam médicos e os postos estão superlotados. Não há condições de trabalho decentes. Como eu vou cobrar que uma pessoa que atende 120 pacientes em 12 horas notifique cada uma das suspeitas de dengue?”, indagou.

O presidente do sindicato diz ainda que a maioria dos médicos é perfeitamente capaz de diagnosticar a doença. “Colocar a culpa nos médicos é ser inconseqüente”. 

Controle
A coordenadora da Sesab também chegou a taxar como “de baixa qualidade” o trabalho executado no controle do vetor e identificação de criadouros da dengue. Jesuína disse ter constatado uma incapacidade e até descaso por parte de alguns agentes em encontrar focos do mosquito. Tal falha teria sido identificada ao se colocar equipes do estado para analisar os mesmos imóveis que agentes do município tinham acabado de visitar. 

“O agente ia lá e dizia que não tinha foco. A nossa equipe ia e os encontrava”. A coordenadora da SMS não só não aceitou que seus agentes fossem desqualificados como duvidou que a SESAB tivesse entrado nas residências. “Desconheço visitas domiciliares do estado. Ou faz esse tipo de trabalho”.

(Reportagem publicada na edição impressa do CORREIO de 2 de março de 2009)

BAHIA |05.03.2009 - 08H39

 

Estado lidera ranking de dengue no Brasil, diz MS

 

Jorge Gauthier / Redação CORREIO | Foto: Evandro Veiga/CORREIO

A Bahia é estado que registrou o maior número de casos de dengue no país em 2009, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira (4) pelo Ministério da Saúde (MS). De acordo com o balanço, que contém dados até a segunda semana de fevereiro, o estado tem nove mil casos da doença, contra 2.998 no mesmo período de 2008, aumento de 200%. 

Em segundo lugar está Minas Gerais, seguido de Espírito Santo e Acre. No entanto, o número do Ministério da Saúde para a Bahia está defasado, já que o boletim mais recente divulgado pelo governo estadual indica a ocorrência de 11.570 casos no estado. Para se ter uma idéia da gravidade da situação, o número de ocorrências na Bahia supera as notificações feitas na região Centro-Oeste, que teve 8.563 casos. 


Aumento do número de casos de dengue tem 
gerado corrida a postos de saúde e hospitais


Os dados apontam que o estado não acompanha a queda nacional na incidência de dengue de 40,53%. Em todo o país, foram 42.956 casos, contra 72.234 no mesmo período de 2008. O Rio de Janeiro, por exemplo, que viveu uma epidemia de dengue no ano passado, registrou queda de 89,79% no número de casos este ano. As maiores reduções aconteceram no Rio Grande do Norte, Ceará e Pará. 

Alerta
Jequié (BA) é apontada com destaque negativo entre as cidades em que há alta transmissão da doença. Desde o fim de 2008 foi identificado um surto no bairro do Joaquim Romão. Segundo a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), Jequié registrou nas sete primeiras semanas do ano 5.307 casos suspeitos da doença, correspondendo a 45% do total das notificações da Bahia. 

Outra cidade baiana que tem números alarmantes da doença é Itabuna. De acordo com Márcia Falcão, coordenadora da Vigilância Epidemiológica da cidade, até ontem a epidemia de dengue já havia infectado 2.180 pessoas. “A cidade vive uma situação preocupante, pois já superamos o número de casos de todo o ano passado (2.000). Além disso, já tivemos quatro óbitos confirmados e outros dez estão em análise”, disse. 

Líder no número de óbitos confirmados no estado, o município de Porto Seguro vive situação de alerta. Segundo Olivia Pereira, diretora da Vigilância Epidemiológica do município, até ontem foram notificados 1.303 casos de dengue na cidade, contra 1.033 do ano passado.“Decretamos situação de alerta no município. Este ano a quantidade de casos está assustadora. 

Temos 197 casos confirmados com o tipo clássico da doença e quatro mortes foram registradas. Em 2008, foram confirmados 302 casos da doença e nenhum óbito.”

(Reportagem publicada na edição impressa do CORREIO de 5 de março de 2009)

Dengue: epidemia já atingiu quase 2500 pessoas em Itabuna

 

Redação CORREIO

A epidemia de dengue já infectou 2458 pessoas no município de Itabuna. Os hospitais da cidade realizam por dia cerca de 100 novos atendimentos de pessoas com sintomas da doença. Alguns moradores da cidade chegaram a  realizar nesta sexta-feira (06) um abaixo-assinado para aumentar atendimento médico na cidade por causa da dengue. 

De acordo com Antônio Vieira, secretário de saúde do município, o aumento no número de casos dificulta a ação do poder público, mas promete medidas emergenciais para conter a situação. “A partir de terça-feira (10), 51 médicos e 86 técnicos de enfermagem aprovados em concurso irão reforçar os atendimentos hospitalares. Além disso, no dia 14 de março será aberto um novo hospital [São Lucas] na cidade para atender os casos de dengue”, ressaltou.

Outras ações prometem reduzir a evolução da doença. “Um helicóptero deverá sobrevoar a cidade a partir da próxima semana para tentar localizar focos da doença. Além disso, fechamos um convênio com o Governo do Estado para  promover a limpeza dos canais de esgoto da cidade. Outra medida para tentar conter a epidemia é a criação de 30 leitos no Hospital de Base (22 para crianças e 8 para adultos) exclusivos para atender pessoas com sintomas de dengue”, prometeu o secretário.

De acordo com análises realizadas pelo laboratório municipal, já foram confirmados nove óbitos na cidade. Apesar da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) só ter feito a confirmação de três mortes.

 

QUE SAUDADE DA SUCAM!
 
 
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